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Quando se escolhe o fim*

Sexta-feira, 10.10.14

Brittany Maynar.png

 

Chama-se Brittany. Tem 29 anos. É norte-americana. E tem cancro.  Brittany tem um glioblastoma, o pior dos piores. Um monstro que se apoderou do cérebro dela, sem quês nem porquês. Um mosntro que lhe limitou a vida e lhe leu a sentença: 6 meses. A partir deste momento, creio que, o pensamento da Brittany se focou em decidir se seriam seis meses de pura vida ou se seriam seis meses de sofrimento, de desdanho e de luta invencível. Acredito que será dos maiores dilemas da vida, ou melhor, da morte. O diagnóstico deve ter-lhe caído em cima como um meteorito cai na terra. Deve formar uma cratera enorme no coração e na alma, deve deixar um vazio, deve doer sem parar. Mas Brittany decidiu que iria viver até ao fim dos dias dela. Decidiu morrer com dignidade. No dia 1 de Novembro, um dia após o aniversário do marido, será o fim: suícidio assistido, eutanásia. 

 

“Espero aproveitar os dias que ainda tenho neste planeta lindo rodeada daqueles que amo. Espero morrer em paz. Dê valor à vida e tenha a certeza de que não está a desperdiça-la. Aproveite o dia. Esqueça o resto”

"Não consigo nem dizer o alívio que sinto por saber que não terei de morrer da maneira que me foi descrito, que o tumor cerebral me tomaria”

“O meu glioblastoma vai matar-me e está fora do meu controlo. Poder escolher a maneira de morrer com dignidade é menos terrível

 

Brittany escolheu morrer na cama, ao lado da mãe e do marido com a sua música preferida a acompanhar. Pode parecer cruel para muita gente, pode chocar meio mundo, mas eu, aplaudo de pé tamanha coragem. Já tive a oportunidade de acompanhar casos de glioblastoma, casos de luta diária, de tratamentos, de sofrimento imenso e que, no final acabam sempre da mesma forma. E a questão que se coloca é: para quê tanto sofrimento se podia ter tido uma morte digna? A Brittany não está a ser injusta nem tão pouco egocêntrica, ela apenas está a diminuir o seu sofrimento e, sem qualquer tipo de dúvidas, o sofrimento de toda a sua família.

Para mim, é uma lutadora !

 

 

 

 

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por O que se ama às 14:26

18 comentários

De O que se ama a 11.10.2014 às 18:12

Boa tarde!
Antes de mais, obrigada pela atenção prestada a este assunto e pela forma como expôs a sua opinião. Claramente, temos opiniões distintas e conceitos muito diferentes de determinadas palavras/acontecimentos/sentimentos. Antes de mais, no meu ponto de vista não existe "morte" e pronto. A minha profissão já me permitiu acompanhar diversas situações de morte e, naquele momento, tudo que a pessoa necessita é de dignidade! Esta jovem tem um tumor invencível. Não existem ajudas possíveis para parar algo que cresce diariamente a uma velocidade estonteante. Ia fazer o quê? Sujeitar-se a sessões de quimioterapia que iriam degradá-la sessão após sessão? Já acompanhei um caso assim e no final o que restou foi um corpo despedaçado, irreconhecível, sofrido, já para não falar na revolta que se instalou nessa mesma pessoa depois de ver que todo o sofrimento tinha sido em vão. Se esta pessoa preferiria a eutanásia? Talvez não. Se esta pessoa viveu os últimos dias e horas da sua vida com dignidade? NÃO. (Mas isto já é outra questão, porque o que esta pessoa precisava era de cuidados paliativos e não de tratamentos químicos que lhe trouxeram mais sofrimento). Não vejo a eutanásia como o findar dos problemas no mundo. Mas se sou a favor da mesma? Sim, sem dúvida alguma! Mas como tudo tem o seu "se", sou a favor da eutanásia não em todas as situações e por esse motivo, para mim, a eutanásia deveria ser permitida em determinadas situações apenas, tal como foi ditada a Lei do Aborto. Não concordo também quando diz que estas pessoas " por padecer de uma doença física ou psicológica, não está nas suas faculdades normais" . Permita-me dizer, que não me parece nada que a Brittany não se encontre ciente da realidade e que não está nas suas faculdades normais. Existem situações e situações e, quando se trata de doenças psicológicas, obviamente que o que as pessoas necessitam é de acompanhamento e ajuda de profissionais e não de um papel onde assinam a sua morte. Daí eu dizer, que sou a favor da Eutanásia com muitos "ses" .

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